Manual de infraestrutura

O que prever na tubulação e nos pontos de rede da obra?

Checklist para arquitetos e eletricistas, por ambiente e por fase da obra. O que não for passado antes do reboco dificilmente será passado depois.

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O que prever na obra para automação residencial?

Preveja eletrodutos dedicados de rede, dados e controle, separados da fiação de força; um ponto de rede por televisão e por ponto de acesso Wi-Fi no teto; tubulação seca para som e cinema; ponto elétrico para cortinas; neutro nos pontos de iluminação; e um armário técnico ventilado, com tomadas dedicadas e nobreak. Tudo antes do reboco.

Regras gerais

Quais regras valem para qualquer ambiente?

Para entender o porquê de cada regra, leia como planejar automação na fase de obra e o que é cabeamento estruturado.

Por fase da obra

O que prever em cada fase da obra?

Antes da passagem elétrica

Fase 1: projeto e compatibilização

É a fase mais barata para decidir e a mais difícil de refazer. O integrador revisa a planta com a arquitetura, a elétrica e a iluminação.

  • Listar ambientes e usos: quem mora, em que horários, com que rotina. As cenas de cada ambiente nascem daí. (Integrador)
  • Mapear as cargas: circuitos de iluminação dimerizável, cortinas, motores, fitas de LED e climatização. (Integrador e elétrica)
  • Definir onde ficam teclados de parede e painéis, para combinar com revestimento e marcenaria. (Arquitetura)
  • Reservar o local do armário técnico na planta, com ventilação, acesso e circuito elétrico dedicado. (Arquitetura)
  • Prever o condutor neutro em todas as caixas de ponto de iluminação. (Elétrica)
  • Alinhar luminárias e dimmers: o projetista de iluminação especifica a luminária, o integrador confirma a compatibilidade. (Integrador)
  • Incluir os eletrodutos de automação no projeto elétrico. Quem não está no projeto não é executado. (Arquitetura e elétrica)

Antes do reboco

Fase 2: eletrodutos e caixas

O que não for passado agora dificilmente será passado depois. Rede, dados e controle seguem caminhos separados da fiação de força.

  • Passar eletrodutos dedicados de rede, dados e controle, separados da fiação de força, de cada ponto até o armário técnico. (Elétrica)
  • Dimensionar o diâmetro de cada trecho pela quantidade de cabos e deixar guia em todos os eletrodutos. (Integrador e elétrica)
  • Um ponto de rede por televisão e um ponto de rede por ponto de acesso Wi-Fi no teto. (Elétrica)
  • Eletroduto até cada posição de câmera, na fachada e nos ambientes, com cabo de rede por câmera (PoE). (Elétrica)
  • Tubulação seca até cada caixa acústica, inclusive as de teto, partindo do armário técnico. (Elétrica)
  • Ponto elétrico no vão, no caixilho ou no forro para cada cortina ou persiana motorizada, e cabo de sinal quando a integração pedir. (Elétrica)
  • Caixas para teclados de parede e painéis, nas alturas definidas no projeto de arquitetura. (Elétrica)
  • Cabo de sinal entre a central e as unidades de climatização, junto da instalação elétrica do ar-condicionado. (Integrador e elétrica)
  • Eletroduto de entrada da operadora até o armário técnico e folga de cerca de 30% no quadro para módulos futuros. (Elétrica)

Antes de fechar o forro e a marcenaria

Fase 3: forro, gesso e acabamentos

Ainda há margem para ajustar posições, desde que os eletrodutos já estejam no lugar.

  • Conferir as posições dos pontos de acesso no teto, das caixas de som embutidas e das câmeras antes de fechar o gesso. (Integrador)
  • Prever vão e caixa para cortina embutida no forro quando o projeto de interiores pedir. (Arquitetura)
  • Definir a posição de telas, projetor e eventuais elevadores de TV, com o ponto de energia e de sinal. (Arquitetura e elétrica)
  • Fixar o armário técnico, com tomadas dedicadas, nobreak e a ventilação prevista. (Integrador e elétrica)

Na reta final

Fase 4: instalação, testes e entrega

A infraestrutura é validada e o sistema é programado, testado e documentado.

  • Testar e identificar cada cabo de rede no patch panel, por ambiente. (Integrador)
  • Programar cenas, horários e modos por ambiente. (Integrador)
  • Testar o comportamento sem internet, sem energia e sem o aplicativo. (Integrador)
  • Treinar quem vai usar e entregar a documentação do sistema, para que outro profissional consiga dar manutenção. (Integrador)

Por ambiente

O que prever em cada ambiente da casa?

Sala de estar e jantar

  • Caixa e eletroduto para teclado de parede em cada acesso ao ambiente.
  • Um ponto de rede atrás da televisão e eletroduto para o cabo de vídeo.
  • Ponto de rede no teto para o ponto de acesso Wi-Fi.
  • Tubulação seca até as caixas de som embutidas.
  • Ponto elétrico para cortina ou persiana no vão ou no forro.
  • Neutro em todos os pontos de iluminação.

Sala de cinema ou sala de TV

  • Tubulação seca até cada canal de som: frontais, laterais, traseiros e de teto.
  • Eletroduto vazio até o armário técnico para vídeo e rede.
  • Ponto de energia e de sinal para projetor, tela retrátil ou elevador de TV.
  • Cortina de blecaute com ponto elétrico previsto.
  • Definição da acústica antes da obra, porque ela decide as posições de caixas e superfícies.

Cozinha e área gourmet

  • Ponto de rede para televisão ou tela de apoio.
  • Tubulação seca para a zona de som ambiente.
  • Caixa para teclado de parede na entrada e junto à bancada.
  • Neutro nos pontos de iluminação cênica sobre a bancada.

Suítes

  • Ponto de rede para a televisão e um ponto reserva para trabalho.
  • Teclados de parede junto à cabeceira e à porta.
  • Ponto elétrico para cortina com blecaute.
  • Cabo de sinal para o ar-condicionado, quando ele será integrado.
  • Tubulação seca para som ambiente no quarto e no banheiro, se previstos.

Escritório e trabalho em casa

  • Dois pontos de rede na estação de trabalho, sendo um reserva.
  • Ponto de acesso Wi-Fi no teto ou ponto de rede para ele no ambiente vizinho.
  • Tomadas em circuito protegido por nobreak, se o trabalho exige continuidade.

Área externa, piscina e jardim

  • Tubulação seca para as caixas de som externas e para os pontos de acesso Wi-Fi externos.
  • Eletroduto e cabo de rede até cada câmera da fachada e do perímetro.
  • Neutro e proteção adequada nos pontos de iluminação externa.
  • Pontos de controle em local abrigado, fora do alcance de respingos.

Entrada, portões e garagem

  • Eletroduto de portaria ou vídeo porteiro até o armário técnico.
  • Eletrodutos e cabos para leitores, fechaduras e botoeiras do controle de acesso.
  • Relé de contato seco previsto para portões e portas que serão integrados.
  • Câmera na entrada de pedestres e na garagem, com cabo de rede.

Armário técnico e quadro elétrico

  • Local definido na planta, com ventilação, acesso técnico e circuito elétrico dedicado.
  • Tomadas dedicadas e espaço para nobreak.
  • Eletroduto de entrada da operadora e eletroduto dedicado de comunicação até o quadro.
  • Folga de cerca de 30% no quadro para módulos futuros.
  • Patch panel identificado por ambiente e switch com portas PoE em quantidade suficiente.

Imóvel pronto

E se o imóvel já está pronto, sem tubulação?

Em muitos casos, é possível automatizar com soluções sem fio de alta densidade e, onde há acesso, eletrodutos aparentes, sancas ou caminhos alternativos. O resultado é funcional, mas não tem a completude de um projeto planejado na obra, e a estimativa de valor é maior. Vale a avaliação técnica do que o imóvel permite.

O dimensionamento de pontos de acesso, portas de rede e armário técnico está em Rede e Wi-Fi. Os termos técnicos estão no glossário.

Guia da calculadora

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Insights INBUILD

Aprofunde o tema

Conteúdo de Luiz da Silva Junior, fundador da Inbuild Automação Residencial, em Balneário Camboriú, com mais de 5.000 projetos entregues desde 2006.

Publicado em . Última revisão: . Este manual descreve práticas gerais. A especificação de cada obra sai do projeto.

FAQ

Dúvidas sobre infraestrutura.

Eletrodutos dedicados para rede, dados e controle, separados da fiação de força, saindo de cada ponto até o armário técnico. Preveja também caixas para teclados de parede e painéis, eletrodutos de teto para som e cinema, espera para cortinas, pontos de câmera e espaço no quadro elétrico. Tudo isso antes do reboco.

Não. Rede, dados e controle devem seguir caminhos separados da fiação de força, desde a fase de embutimento. A separação evita interferência e facilita a manutenção. Cada trecho recebe o diâmetro certo conforme a quantidade de cabos.

Em geral, sim. Módulos e dimmers eletrônicos costumam precisar do condutor neutro na caixa do ponto. Prever o neutro desde o projeto elétrico evita limitar a escolha de equipamentos depois. A especificação final sai do projeto de automação, em conjunto com o de iluminação.

O armário técnico precisa de local definido na planta, com ventilação, acesso para manutenção e circuito elétrico dedicado, com tomadas e nobreak. É onde terminam os cabos de rede e ficam o roteador, o switch, o gravador de câmeras e os amplificadores. O tamanho, em U, depende da quantidade de pontos.

Um ponto elétrico no vão, no caixilho ou no forro, onde ficará o motor, definido antes da alvenaria e do gesso. Conforme a forma de integração, pode ser necessário também um cabo de sinal. Prever isso na obra evita cabo aparente e amplia as opções de motor.

Tubulação seca, ou seja, eletrodutos vazios, até cada posição de caixa acústica, inclusive as de teto, saindo do armário técnico. Sem isso, não é possível instalar alto-falantes de teto corretamente depois dos acabamentos. A sala de cinema ainda pede definição de acústica e posição de telas antes da obra.

Próximo passo

Quero revisar a infraestrutura do meu projeto.

O integrador entra antes da passagem elétrica e entrega ao eletricista um memorial claro.